domingo, 21 de fevereiro de 2010

O embalsamamento não é uma técnica nova e sim pouco divulgada

Artesãos da Morte: técnicos de necrópsia explicam quem são, o que fazem e a importância da conservação do cadáver para a utilização da maquiagemO embalsamamento não é uma técnica nova e sim pouco divulgada. Se nos cuidamos em vida, porque não divulgar o trabalho destes profissionais fantásticos que cuidam de nós após a morte? A preocupação maior é amenizar a dor do choque, principalmente da família.Quem tem medo da morte? Com certeza eles não tem. Lidam com ela vinte e quatro horas por dia e garantem que nada relacionado à isso os assusta. Trabalhar com o corpo humano é considerado por alguns um privilégio, já que são poucos que tem a coragem de explorar esta maravilhosa máquina. Eles são os profissionais que realizam um trabalho fantástico, ao contrário dos médicos, que cuidam do corpo vivo, se responsabilizam por tratar e cuidar de um ser humano morto. São os embalsamadores de cadáveres, profissionais que têm a tarefa de preparar o corpo do falecido e fazer com que ele fique o mais "apresentável " possível na hora do velório. A idéia é, em partes, amenizar a dor da família, esta que, - mal falando - após a devida conservação do corpo, têm a impressão de que o falecido está apenas dormindo, tamanha a perfeição do trabalho dos embalsamadores, que juntamente com os maquiadores, realizam um trabalho acima de tudo artesanal.
O trabalho dos maquiadores não teria sentido sem o do embalsamador. Não existe a possibilidade de falar de um sem citar o outro. Um conserva o corpo, o outro dá os retoques finais de preparação para o velório. De acordo com o necropsiador Geraldo Ferreira, de 63 anos, para haver a maquiagem de um cadáver é extremamente importante que antes haja o embalsamamento. Isso porque ao maquiar um corpo não conservado, higienizado e preparado podem ocorrer acidentes, como por exemplo, vazar algum tipo de fluído " principalmente sangue - por um dos orifícios naturais do corpo " nariz, boca, ouvidos. " O corpo embalsamado, uma vez feita a maquiagem pode durar muito mais tempo, até dias em relação ao não preparado. Uma maquiagem desmanchada por um vazamento pela narina, por exemplo, é muito mais agravante para a família do que uma maquiagem bem feita em um corpo anteriormente preparado corretamente", explica Cirino Santos, necropsiador e diretor técnico da empresa Labtemforj (Laboratório Técnico de Embalsamamento e Formolização no Rio de Janeiro) localizado no bairro de Inhaúma.
Os profissionais são contratados quando trabalham em laboratório. Mas também existem os free lancers " profissionais temporários " mas não são divulgados porque muitas vezes trata-se de trabalhadores clandestinos que não são reconhecidos pelo meio funerário. Um profissional que trabalha com embalsamamento e maquiagem ganha em média entre 2.200 e 3.000 reais por mês e o custo do serviço para os familiares chega a variar de 360 a 1500 reais. "Não tenho como dizer quanto ganha um profissional que trabalhe só com maquiagem porque isso é raro. Geralmente o maquiador é também embalsamador porque um trabalho depende do outro", completa Geraldo.
Um técnico de necrópsia trabalha devidamente protegido. Luvas, avental, óculos de visão panorâmica que facilita a visão por todos os ângulos, entre outros fazem parte dos instrumentos que protegem o profissional. Já em ação, a pinça dente de rato, o escorpo, a costótola, o enterótomo, o barbante, sondas e até bico de regador são usados na construção de um embalsamamento. Já o maquiador utiliza materiais comuns de maquiagem, principalmente um reativador - espécie de base -, batom , rímel e lápis no caso das mulheres e nos homens apenas um reativante nos lábios, sobrancelhas e rosto. O material é metade nacional - bases, batom, rímel " e metade importado " cera necrofílica, a solução à base de formol, os reativantes. O custo do material é variado, dependendo do tipo de morte. Há casos em que é necessário a utilização da cera necrofílica " perfuração por bala, por exemplo -, outros não.
O processo todo de conservação de um cadáver é lento e o tempo em que ficará retido no laboratório depende de diversos fatores, entre eles o tipo de morte. Ao chegar, retira-se a roupa do cadáver " existe uma pessoa que ajuda a fazer este trabalho-, porque ele geralmente está exalando algum odor desagradável. Depois é colocado em uma mesa, higienizado com cloro, dá-se um banho medicinal e a partir daí que começa o trabalho do embalsamador. Ele começa a incisão por um vaso calibroso, o femural, por exemplo, introduz uma sonda e logo depois um canalizador que vai viajar por todo corpo. Se não houver a possibilidade de se começar pela femural, outros vasos como a carótida, aorta ou umeral podem ser utilizados mas para isso tem-se que abrir o cadáver. E se mesmo assim não der, o processo de embalsamamento terá que ser feito ponto-a-ponto com uma agulha. Então esse cadáver não demorará mais quatro horas para sair do laboratório, mas seis, oito ou até um dia. "Há casos em que não dá para fazer por vasos calibrosos e temos que fazer o embalsamamento ponto-a-ponto (a cada meio centímetro do corpo faz-se um furo com uma agulha) e isso demora. . Portanto sempre digo que só a partir de duas horas aqui no laboratório que eu posso dizer para a funerária ou para os familiares quanto tempo o cadáver ficará retido aqui", explica Geraldo Ferreira.
O embalsamamento protege não só o corpo mas como a família dentro da capela. Isto porque uma pessoa pode morrer de uma doença infecto contagiosa " tuberculose ou aids, por exemplo - e uma vez preparado, conservado e devidamente limpo, este corpo não apresentará mais riscos de transmissão de doenças. O trabalho do embalsamador é proteger o corpo e a família, de todo e qualquer problema. E o cuidado dos profissionais não é só com o cadáver. Eles tem que adotar diversas medidas de segurança porque nunca sabem com quem estão lidando. "Todo cadáver que chega aqui é cuidadosamente manuseado. Porque nós temos primeiro que nos proteger, visando a proteção da família e principalmente de todas pessoas que tocarem o corpo, seja o maquiador, o embalsamador ou até o motorista da ambulância", conta o diretor do laboratório de embalsamamento Labtemforj, Cirino Santos.
Ser embalsamador não é tarefa fácil. Em alguns casos, como explica o necropsiador Geraldo, o corpo chega no laboratório totalmente desfigurado, tornando o trabalho de reconstituição muito difícil. Em casos de atropelamento ou incêndio, ele conta que por muitas vezes a família manda uma foto do falecido para que haja a reconstrução. Geraldo chega a ficar até seis horas, ou às vezes quase um dia na preparação de um corpo deste caso. " Uma pessoa que levou um tiro, que ficou com um furo no rosto, por exemplo, temos a obrigação de colocar tudo no lugar, os ossos, a pele, ou seja, reconstituir. Tudo tem que ser muito bem suturado para o maquiador poder trabalhar e esconder totalmente o ferimento para não causar mais um impacto à família", diz.
Em casos de tiro ou qualquer outra perfuração no corpo que a roupa não possa esconder, Cirino esclarece que é usado uma cera necrofílica, que é colocada após a sutura do técnico embalsamador. Isso faz com que o buraco suma, facilitando o trabalho final do maquiador. O trabalho perfeito consiste em fazer com que o cadáver, que por muitas vezes, chega ao laboratório assustador para o técnico quem dirá para a família, saia de lá com um aspecto "vivo", causando assim menos impacto nos familiares que já têm que suportar a dor da perda. O trabalho do embalsamador é acima de tudo, social.
O ofício de preparação de cadáveres para velório é bonito e é uma profissão regulamentada. Como foi citado antes, o profissional habilitado a apenas maquiar cadáveres é raro. Existe o embalsamador que é responsável por todos os estágios de conservação do corpo. Apesar de existirem cursos técnicos para maquiadores " em São Paulo, Belo horizonte e Bahia - a profissão isolada ainda não é reconhecida. "Fiz o curso de embalsamador na Unesp em São Paulo e não tenho conhecimento nem de curso para maquiadores nem embalsamadores no estado do Rio de Janeiro", diz o técnico Cirino. "A prática me ensinou", complementa o também Policial Civil, Geraldo Ferreira.
Michele Cristina Fardilha, de 31 anos, trabalha há quase um mês com os dois técnicos de embalsamamento " Geraldo e Cirino " no laboratório Labtemforj, em Inhaúma. Ela diz ser ajudante dos profissionais e, apesar de trabalhar com maquiagem de cadáveres, afirma que ainda não tem curso técnico para tal. O trabalho de Michele é auxiliar os técnicos com os materiais, colocar o corpo na mesa para iniciar a preparação, costurar, enfim, a jovem está aos poucos se profissionalizando na área de embalsamagem. "Tenho medo de morrer mas não tenho de lidar com isso. Parece contraditório. Mas acho que o medo de morrer vem principalmente quando eu vejo crianças", diz.
Medo é algo que os técnicos que trabalham com cadáveres realmente não têm. Por outro lado existe um fator que os incomoda: o preconceito. " Existe um preconceito muito grande. Já tiveram pessoas que não apertaram a minha mão justamente por eu trabalhar com esse tipo de atividade. Ninguém se preocupa em saber se trabalhamos protegidos ou não", ressalta Cirino. "Tem uma amiga minha que disse que não ia comer mais a minha comida", acrescenta Michele.
Sobre esta questão, Geraldo Ferreira, que já trabalhou no Instituto Médico Legal e está há quarenta anos no ramo diz que o preconceito existe até no meio funerário. "O cara chega aqui e não ultrapassa a porta. Ele fica dali para fora e é porque já tem um certo preconceito. Esse preconceito não é só com a gente, é com o coveiro, o lixeiro". Ele acrescenta que no círculo de amizades procura não lembrar do que faz, porque com certeza se o fizer, comentários surgirão, até pela idéia que a sociedade faz de morte. Quando se fala em cadáver, a reação que a maioria das pessoas têm é de nojo.
Preconceito incomoda quem trabalha em funerárias ou laboratórios de embalsamamento. Apesar disso, é difícil de acreditar que não existe nenhum tipo de nojo ou medo por parte dos profissionais. Geraldo Ferreira conta que antes de trabalhar com isso, ao ver um cadáver tinha dor de cabeça e diarréia mas com o tempo se acostumou. Ele é estudioso da obra de Alan Kardec e afirma discordar em uma passagem do autor, quando ele diz que toda pessoa que trabalha com o corpo humano é naturalmente um materialista. Cirino afirma com absoluta certeza que não tem medo de morrer e que não acredita em morte. Ele diz acreditar no espírito. Para ele o espírito não morre, aliás, ele ressalta que nem a matéria morre, se transforma. " Creio muito mais em Deus agora. Quando vejo a máquina que ele fez. O corpo humano pra mim é divino e eu tenho orgulho de pode viajar por ele. Um amigo meu já dizia que todo ser humano deveria passar pelo menos duas horas dentro do IML para saber um pouco do próprio corpo", finaliza Geraldo Ferreira, o mais antigo necropsiador do Rio de Janeiro, que já preparou o corpo de famosos como por exemplo, do ex presidente Juscelino Kubitscheck.

Autor: Nathália Rodrigues e Thayana Araujo

12 comentários:

  1. oi querido eu sou alessandra, onde posso encontrar um curso especializado em sao paulo de reconstruçao facial em cadaver,por favor se puder me endicar entre em contato comigo.pelo alessandraaparecida7@hotmail.com,obrigado eu agardo.....

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  2. Ola, muito prazer, me chamo Anderson Felipe e acho esse trabalho muito lindo e nobre, tanto que gostaria de conhecer mais, com o objetivo de conquistar uma futura vaga. Se alguém verificar essa mensagem, gostaria de possuir contato através de e-mail. andolivera@hotmail.com informo o meu caso queiram. Em breve entrarei em contato pelo telefone que adquiri em pesquisas, grande abraço a todos.

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  3. Olá!Meu nome é Júlia e "devorei" esse artigo. Está muito explicativo e nos leva a querer saber mais. Fiz Enfermagem por um ano, mas infelizmente fui forçada a desistir da Faculdade por motivos financeiros, e o que mais me chamava atenção eram as aulas de anatomia e embriologia.
    Há pouco tempo atrás surgiu um interesse em fazer um curso de Auxiliar de Necrópsia, mas quando li o artigo sobre Embalsamamento e Maquiagem me familiarizei mais por também ter uma facilidade em fazer artesanatos. Gostaria de receber mais informações sobre cursos no meu e-mail: juliafragnan@hotmail.com
    Parabéns pelo trabalho!
    Apesar do preconceito que ainda habita em muitas mentes, esse trabalho é digno, nobre, necessário e merece extremo respeito, pois através das mãos desses profissionais podemos dar um último Adeus àqueles que amamos tanto mas que precisam seguir o caminho além da carne.
    Obrigada!
    Júlia

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  4. Olá!

    Também estou interessada.Adoraria saber mais informações.Por onde começar.Vivo em Sã Paulo,e lhe serei muito grata se puder me acrescentar mais.
    Obrigada! KATPIRES@YAHOO.COM.BR

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  5. Olá, gostaria de saber se existe algum curso em curiitba ou no rio rande do sul. obrigada
    lousfn@gmail.com

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  6. gostaria de ter mais informaçoes sobre este curso.ele pode ser feito em curitiba pois moro aqui obrigada.gisveiga@hotmail.com

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  7. Olá estou muito interessada em saber onte tem o cyrso de tecnico de anatonia e necrópsia moro em SP e não encontro na internet. Vc pode me ajudar, me indicar alguma escola que tenha esse curso? meu email é ifrodyk.foreverxd@gmail.com
    Lhe seria muito grata se puder me ajudar.
    Mariane Moda

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  8. Bom dia! gostaria de saber onde eu encontro em belo horizonte o curso de Auxiliar de necropsia ou alguma coisa voltada pra isso?

    Selma
    selmagviana@hotmail.com

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  9. aonde tem esse curso em são paulo

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  10. Oi quero muito fazer esse curso, voce sabe me dizer onde tem esse curso em Belo Horizonte, me informe... obrigada

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  11. em belo horizonte a um curso muito bom ministrado pela funeraria santa casa de bh.....junior27bhmg@hotmail.com

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  12. olha mim chamo rogerio e queria saber aonde encontro o curso em sao paulo meu email rogger3954641@gmail.com espero reposta

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-Confúcio