domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mumificação




As Múmias são cadáveres que são embalsamados por algumas sociedades que acreditam no retorno ao corpo de uma entidade analogamente a um espírito. Tal processo, chamado de mumificação, tem como fim de preservar o corpo para a recepção do "espírito"

Ritos especiais e embalsamamento preparavam os heróis para a vida após a morte, transformando-os em múmias. Uma das obrigações da vida futura era defender lugares sagrados. Caso ladrões ou outros pecadores perturbassem seu descanso, as múmias levantariam e destruiriam os inimigos.

As múmias mais conhecidas são as egípicias. Os antigos egípcios tinham a tradição de embalsamar os seus mortos, inicialmente apenas os nobres, mas, esse costume acabou atingindo quase toda a população. Todos os órgãos eram retirados e os cadáveres eram enrolados em uma espécie de pano. As múmias ficavam em tumbas nas rochas ou nas chamadas pirâmides. Os faraós eram enterrados com todos os seus bens. Os povos maias também embalsamavam seus mortos pois tinham a mesma crença dos egípcios, a de ressureição. As múmias de chinchorro [1] no deserto do Atacama, atual norte do Chile e sul do Peru na América latina, recentemente datadas em 7000 a. C., portanto são as múmuias mais antigas, com mais 2000 anos que as egípcias.

As múmias naturais são muito raras, pois é necessário condições específicas para a sua formação, entretanto este processo produziu as múmias mais antigas conhecidas. A múmia mais conhecida é Ötzi the Iceman, congelado em uma glaciação, nos alpes Ötztal, em torno de 3300 a.C. e foi encontrada em 1991. Uma outra múmia mais antiga, no entanto menos preservada, foi encontrada em Nevada, EUA em 1940, e foi datada com carbono-14 em torno de 7400 a.C.

Em alguns países da Europa, como Reino Unido, Alemanha, Suécia e Dinamarca possuem regiões pantanosas, chamadas de bogs. Nestes terrenos a acidez da água, as baixas temperaturas e a falta de oxigênio são combinados para curtir os tecidos moles dos corpos escondidos nas águas, normalmente sacrifícios rituais e assassinatos. Tais múmias são extremamente bem consevadas, normalmente os esqueletos se decompõe, mas em alguns casos é possível determinar última refeição da múmia, analisando o conteúdo estomacal.

Em 1972, foram descobertas oito múmias extraordinariamente bem conservadas em uma comunidade Inuit, chamada Qilakitsoq, na Groelândia. As "Múmias da Groelândia" é um grupo formado por um bebê de seis meses, um garoto de quatro anos e seis mulheres de várias idades, que morreram há aproximadamente 500 anos. Os corpos foram mumificados por causa das temperaturas abaixo de zero e os ventos secos que cercam a caverna onde foram encontrados.

Algumas das mais bem preservadas múmias datam do período Inca no Peru, há 500 anos atrás, quando crianças sacrificadas em ritos eram colocadas nos picos das montanhas da Cordilheira dos Andes. O clima frio e seco age na preservação dos corpos.

No estado de Guanajuato, México foram descorbertas múmias em um cemitério da cidade chamada Guanajuato, a nordeste da Cidade do México. Estas são múmias modernas acidentais e foram literalmente desenterradas entre os anos de 1896 e 1958, quando o governo local exigia o pagamento de uma espécie de taxa. As múmias de Guanajuato estão expostas no Museu de las momias em uma colina com vista para a cidade.

Mumificação é o nome do processo aprimorado pelos egípcios em que retiram-se os principais órgãos, dificultando assim a sua decomposição. Geralmente, os corpos são colocados em sarcófagos de pedra e envoltos por faixas de algodão ou linho. Após o processo ser concluído são chamadas de múmias. O processo de mumificação durava cerca de 70 dias.

A mumificação era um processo bastante complexo e demorado. O sacerdote (embalsamador) começava por retirar o cérebro do morto, com um gancho, por meio das narinas. Depois, faziam um corte no lado esquerdo do corpo, retirando os órgãos, que eram colocados em vasos próprios e guardados no túmulo, há exceção do coração, que, por ser necessário na outra vida, era recolocado no seu lugar.

Então, o corpo era coberto com natrão (cristais de sal) e deixado a secar durante 70 dias. Após esse processo, as cavidades eram cheias com linho e substâncias aromáticas, e enrolava-se o corpo com ligaduras. Os olhos eram cheios com linho ou pedras pintadas de branco. Também os animais de estimação eram por vezes embalsamados e colocados em sepulturas próprias.

As mais antigas memórias de embalsamamento vamos encontrá-las nos monumentos egípcios. o costume teve a sua origem na suposta necessidade de preservar o corpo para ser novamente ocupado no futuro, quando a alma tivesse acabado todas as suas transmigrações. A arte de embalsamar os corpos atingiu muito cedo, na história dos povos, um certo grau de perfeição. Com efeito, as múmias mais bem conservadas são aquelas de DATA mais remota. Dois exemplos somente de embalsamamento ocorrem na Bíblia: os de Jacó e José - mas estes em conexão com os costumes do Egito (Gn 50.2,3,26). os hebreus não costumavam embalsamar os cadáveres, embora fizessem grande uso de especiarias e ervas aromáticas nas sepulturas dos seus mortos. Asa foi posto ‘sobre um leito, que se enchera de perfumes e de várias especiarias, preparados segundo a arte dos perfumistas’ (2 Cr 16.14). E no evangelho de S. Jo 19.39,40 lemos como Nicodemos cuidou do corpo do Salvador. Heródoto descreve diversos modos de embalsamar que estavam em uso no Egito, sendo os preços da operação desde uma pequena quantia até 300 libras. Quando se empregava a mais dispendiosa preparação, era o encéfalo removido pelo nariz com um instrumento de ferro, enchendo-se de medicamentos a cavidade do crânio. Em seguida abria-se o tronco, os órgãos eram retirados, e o espaço enchia-se de mirra, cássia, e outras especiarias. Depois disto, durante sessenta dias, o corpo ficava metido em natrum, por fim era enfaixado com ligaduras de linho, em cujas dobras se punham especiarias aromáticas e gomas, sendo desta forma mandado aos parentes, que o introduziam numa caixa de madeira, ajustada ao corpo. Essa urna era colocada direita, verticalmente, na câmara sepulcral da casa, permanecendo ali durante um ano ou mais, até que, finalmente, era depositada no carneiro de família. Segundo os sistemas mais baratos de embalsamação, o corpo era posto em natrum, depois de terem sido cheias as cavidades com óleo de cedro, e depois esvaziadas. Esta operação dava à múmia a aparência de um corpo, formado apenas de pele e osso.


Embalsamento e Tanatopraxia

Por motivos práticos e teológicos, a preservação do cadáver é preocupação presente em quase todas as civilizações.

Embalsamar é a arte de preservar um corpo por um longo período para velórios com mais de 24 horas de duração. Embalsamamento é o nome dado ao tratamento de um corpo morto para esterilizá-lo ou protegê-lo da decomposição. Sua técnica, originada dos egípcios, utiliza a retirada de órgãos e a inserção de fluídos embalsamadores. É obrigatório para viagens aéreas nacionais e internacionais.

Etimologicamente Tanato, do grego “Thánatos”, significa morte, na mitologia grega representa o Deus da Morte e praxe, do grego “práxis”, representa o que se pratica habitualmente, a “ação”, a rotina. O conjunto, tanatopraxia, no que diz respeito a origem da palavra, significa “o que se faz habitualmente diante da morte”, isto é, quais as providências que se deve tomar frente ao fato ocorrido. Há muitos anos já se pratica a tanatopraxia em outros países, que nada mais é do que a denominação empregada para a técnica de preparação de corpos humanos, vitimados das mais variadas formas de óbito. Corresponde a aplicação de produtos químicos em corpos falecidos, visando a sua desinfecção e o retardamento do processo biológico de decomposição, permitindo a apresentação dos mesmos em melhores condições para o velório. Diferente do embalsamamento, essa técnica não utiliza formol ou realiza a retirada de qualquer órgão.

Seu princípio está na aplicação de um líquido conservante e desinfetante, que devolve a aparência natural do corpo, evitando extravasamento de líquidos, inchaço e garantindo um aspecto semelhante ao que apresentava em vida. Tem por objetivo, ainda, evitar a propagação de moléstias contagiosas e doenças para a comunidade, visto que com essa preparação o corpo recebe um tratamento especial com substâncias germicidas.

As diferenças fundamentais existentes entre Embalsamamento e Tanatopraxia são de: (1) ausência de evisceração (as vísceras são mantidas nas próprias cavidades), (2) metodologia (utilização de equipamentos modernos apropriados para injeção e aspiração) e (3) diferentes produtos químicos (testados cientificamente) empregados neste último processo.

Através da tanatopraxia, é possível realizar a restauração facial e do corpo em caso de acidente; permitir que a família possa permanecer mais tempo no velório; ou mesmo para que o corpo possa ser transportado a grandes distâncias para o enterro, bem como para cumprir com as determinações legais para o traslado.

O importante benefício social com a aplicação desta metodologia pode ser observado entre os tempos onde não se praticava a tanatopraxia e os dias de hoje. Na grande maioria das vezes, pode-se atender às necessidades dos familiares, como a preservação por um tempo mais prolongado de velório, em condições ambientais normais, sem a necessidade de um sistema de refrigeração.

O tempo mínimo para a preparação de um corpo com “causas mortis” natural varia de 60 a 90 minutos, dependendo de fatores intrínsecos e extrínsecos que acometeram o corpo, ou seja: aonde, como e quando aconteceu o óbito. Estas e outras variáveis existentes determinam o tempo de preparação, que pode se estender a aproximadamente 4 (quatro) horas para o completo processo de preservação corporal.

Amplamente difundida em todo Brasil, um exemplo recente da tanatopraxia foi realizada no corpo do Papa João Paulo II, permitindo que as homenagens ao pontífice pudessem ser realizadas por um longo período, conforme programado para essas ocasiões.

A Tanatopraxia, realizada em ambiente equipado apropriadamente (TANATÓRIO), é desenvolvida por técnicos habilitados e especialmente treinados (TANATOPRAXISTA). Para estar apto a desenvolver essa função, o profissional necessita de um curso técnico avançado, com aulas teóricas e práticas.

Níveis de Tanatopraxia*

• Nível 1: recomendada para corpos que serão velados por até 12 horas;
• Nível 2: recomendada para corpos que serão velados por até 24 horas e traslados intermunicipais;
• Nível 3: recomendada para corpos necropsiados (ITEP ou SVO) e para traslados interestaduais.

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-Confúcio